domingo, 11 de julho de 2010

PINTURA E RECORTE - REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA PARA UM OLHAR LINEAR E PICTÓRICO




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Do ponto de vista fenomenológico, a pintura é uma das expressões da Arte porque permite a junção da percepção e da sensação, ou seja, os efeitos de sentido e significado sendo produzidos pelo que vimos (os nossos olhos) e pelo que sentimos ou entendemos (o nosso cérebro). É fenomenológico porque é pela percepção que vemos as tonalidades da luz (as cores); e é pela sensação que damos nomes às emoções às compreensões das pinturas.

Em minha trajetória, venho aproximando a prática do kirigami (recorte de papel) às outras expressões de arte, tal como a pintura. É provável que essa possibilidade de trocas entre as várias expressões artísticas acabe otimizando as combinações, as comparações e, com maior evidência, os contrastes.

Durante minha trajetória no curso de Graduação em Artes Visuais, na UEL, o contato com maior ênfase com a pintura deu-se nas aulas do professor Danilo Villa.

Foi ele que sugeriu-me a pesquisar sobre Henri Matisse, que trabalhou, em específico, a junção da pintura com o recorte. 

No entanto, meu desejo de trabalhar com papéis policromáticos, fez-me refletir sobre os seus efeitos sobre o meu trabalho de kirigami.

A princípio, os recortes de papel denotam a variedade das figuras (humanas, animais, elementos da natureza, entre outras), quase sempre trazendo-nos à lembrança de silhuetas. Portanto, a junção é fazer com que a pintura realce a figura, servindo de fundo e, ao mesmo tempo, performando as tonalidades da cor.

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Nesta tela, observa-se a fluência marcadamente de duas cores, o azul e o laranja. E, em menor proporção de visibilidade, o marrom. Todavia, é o marrom que potencializa a junção do recorte com a pintura, caracterizando a produção de sofrimento e perseverança em contraste com a peregrinação e o amparo.

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Como já trabalho com simetrias e miniaturas, professor Danilo pediu-me que fizesse recortes assimétricos e com proporções cada vez maiores. 

O efeito do corte linear sobre o papel forma uma mancha pictórica que não é apenas uma sombra ou silhueta de algo. Na verdade, a policromia do papel faz, como efeito esperado, que a figura sobreposta direcione para a composição de uma paisagem (ou retrato), requerendo a prática do reconto. Ou seja, a junção do recorte com a pintura estimula os apreciadores a recontarem ou a construírem uma nova história.

 


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A pintura traz uma temporalidade, principalmente depois de ver as fotos de Haruo Ohara, observando ou lembrando de memória. As produções a seguir se referem a uma pequena série em sua homenagem.

 


Cores quentes e frias mesclam-se tematizando a pictografia (recorte com pintura) 



O que me agradou foi a linha formando uma mancha, formando uma imagem que traz um elemento pictórico ao kirigami que transcente o que era apenas o corte do papel que revela a forma em sí. 




É interessante observar que a variação de cores e de contrastes acabam evidenciando texturas e até movimentos. 




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As cores e as formas sempre buscam a harmonização entre si, a fim de que haja otimização das silhuetas em relação ao cenário. Na composição a seguir, as silhuetas são gêmeas, mas as cores e as texturas fazem a distinção entre elas.  




A silhueta abaixo remete aos tempos da infância, cujas brincadeiras eram determinadas pela presença de brinquedos caseiros (domésticos) e da cosmovisão social. A silhueta d
o feminino fica mais evidente pela forma (sombra) e pela tonalidde das cores, destacando as partes superior e inferior. 

 


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2 comentários:

  1. Seus comentários são bem poéticos, mas lembra sim Matisse, são silhuetas, e mesmo com variações de cores não tem definições lineares em si, são cores mescladas a forma do papel; as peças que você faz normalmente são de que tamanho?

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  2. Estas foram grandes, algumas com mais de um metro, já tenho as medidas mas preciso adicionar no blog as dimensões. Uma das propostas do Prof. Danillo era aumentar o tamanho já que o recorte eu dominava. O lance das cores policromáticas é que acabam informando um sentimento dentro da forma. A fusão das formas e cores intensificou mais a emoção do que somente a forma ou as cores em separado. Na pesquisa tem o Matisse, o Haruo Ohara e pesquisei os mitos gregos também. Depois desta fase eu faço um estudo do corpo masculino que já está no blog. Abçs

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