sexta-feira, 24 de abril de 2009

KIRIGAMI NA BIBLIOTECA VIVA ITINERANTE



Cortar kirigami em eventos é sempre uma diversão, porque sempre aparece um repertório de pessoas interessantes e pontos de vista diferentes a serem explorados como potencial de motivação a novos desafios em propostas de kirigami.

Sempre tem alguém que quer e merece algo diferente, especial, exclusivo para esta pessoa, como um retrato em kirigami da sua própria imagem ou uma criação exclusiva, única.

O kirigamista faz mais que vencer desafios, ele os eleva a quase perfeição e a um outro nível que sensibiliza e arrebata o expectator. 

Hipnotizado e sequestrado pelo efeito ludico do kirigami, o expectator é levado ao mundo da imaginação de gênios e loucos, que versa pelo infinito das possibilidades tangíveis pelo olhar diferenciado do artista.

Se kirigami é arte ou artesanato, pouco me importa, me importa o efeito sensível, excitante, instigante, intelectualizante, transcedente e o valor agregado que um pedaço de papel assume ao se tornar um Kirigami. 




Aqui estão alguns momentos do inicio do trabalho de kirigami dentro do evento Biblioteca viva intinerante no Zerão. Foram 3 horas de atividades recreativas, encontrei vários amigos e ex-alunos. Sempre é gratificante participar de eventos. 






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sexta-feira, 17 de abril de 2009

KIRIGAMI: A ARTE DE CORTAR PAPÉIS


O kirigami surgiu na China com a própria invenção do papel conhecido como Jian Zhi  com uso de facas (estiletes) ou tesoura. Quando foi levado para o Japão desenvolveu duas vertentes, o Origami (Ori=dobrar e Kami (lê-se Gami) = papel e o Kirigami (Kiri = cortar e Kami = papel) que ao pé da letra seriam as artes de dobrar e cortar papéis, onde se tornaram duas artes independentes. O kirigami e o origami fazem parte do currículo escolar no Japão desde o séc. XII, outro nome é o Kirie que significa imagem cortada.

No Brasil o kirigami surgiu com a imigração japonesa, no Paraná, veio em forma de uma figura ontológica chamado de Circuíto, famoso andarilho que ganhava a vida vendendo seus kirigamis pelo norte do Paraná. Depois de sua morte, aqui em Londrina, houve um hiato que só foi rompido com o meu trabalho (Ângelo).

Para mim kirigami surgiu com a força de um arrebatamento, já havia terminado o Mestrado em Microbiologia e estava lecionando química quando (Nádia e Nívea) me pediram pra ajudar a decorar a sala de inglês para o dia das bruxas. Dentro da limitação da escola pública, só havia papel, e instintivamente já comecei a cortar, até que um anjo chamado Deiko Miya me perguntou "onde você aprendeu isso? isto é kirigami!" e como uma luz me iluminasse eu me espantei -como saber algo que nem sabia que existia e como posso saber tanto de algo que nunca aprendi? Depois disto foi uma bola de neve que foi crescendo até chegar aqui.

Hoje eu crio, pesquiso, ensino, exponho, divulgo e formo público de kirigami em Londrina e região além das performances de histórias cortadas, onde conto histórias, crio os personagens e os animo na dinâmica da narrativa em feiras de Livros para incentivo a leitura. 
O kirigami bidimensional pode ser classificado em três grandes grupos: os assimétricos, os simétricos e os de simetria mista.

O kirigami tridimensional é um universo maior ainda, onde, no curso, começo com kirigami tridimensional de simetria bilateral, e conforme os alunos aprendem os eixos de simetria, vou ensinando a aplicação dos eixos de simetria para a terceira dimensão. Há algumas vertentes no que se refere ao corte, o pop-up de cartões que pulam a imagem, o origami arquitetônico que usa estilete para desenhar fachadas de arquitetura e puxá-las para a terceira dimensão e a colagem com sobreposições de papéis cortados.

O kirigami  estilo tesoura livre  mostra instantaneamente que não é preciso mais nada. O uso de cola não desmerece o trabalho na construção de kirigamis geométricos que abrange os regulares, os semirregulares e os irregulares.  


Exemplos de cortes de papel da cultura chinesa.