
kirigami em folhas de prata e ouro

kirigamis em latão, cobre e alumínio

pirâmide de cobre

kirigami em folhas de prata e ouro


Entre vários outros trabalhos de kirigami, a historia que mais gosto é o menino sem tempo, que faz um resgate da criança interior e da essência da imaginação. Foi feito sem esboço e página por página foi criado texto e imagem por pura inspiração. Este livro veio de um desejo meu de ensinar kirigami mais por criação que por imitação. Em Cursos de kirigami rápido, os alunos não querem criar e sim copiar os moldes que crio, então escrevi este livro que mostra o potencial infinito de uma folha de papel que está aberto à criação. A forma já está ali, é só tirar o excesso. Angelo Cesar Meneghetti
Capa de papel reciclado
O menino sem tempo
Era uma vez um menino que não tinha tempo de imaginar, passava horas olhando para uma folha em branco e só imaginava o branco. Não se lembrava do colorido das borboletas que borboleteavam brincando e voando de um lado para o outro.
Também não via o colorido dos pássaros e com o tempo se esqueceu até do branco da paz e da cor das nuvens.
Um anjo verde, que era filho de uma flor, fez uma oração de amor para que o menino que não tinha tempo o visse e o libertasse, por segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, séculos e milênios ele conjurou encantos que ecoaram por todos os cantos.
O tempo na eternidade, que criou as estrelas e a vida, em um segundo criou as horas, e sincronizou o tempo para que o menino e o anjo se encontrassem, mais que o destino, era conjurações astrais, o encanto das horas, o encanto do tempo, o encanto do sincronismo....
No instante que a última folha caía da arvore da imaginação, gotas de esperança caiam em forma de coração....
O menino sentiu mais forte bater seu coração, e sentiu a alegria de ter, de novo, emoção, e percebeu quanta coisa fugia aos seus olhos por falta de imaginação.
Quanto mais ele criava, mais imaginação brotava, pouco a pouco foi subindo rumo ao infinito, viu o universo se abrindo, numeros, formas, beleza... mais que força e grandeza... IMAGINAÇÃO.
...
O pássaro Cuco, que não queria esquentar a cuca, chegou pro menino e falou, "pega o molde, é mais fácil, pra quê imaginar dobrado? "
O menino com seu molde já não queria mais esquentar a cuca e passou apenas a seu molde replicar, replicando, replicando... Até dominar o mundo, e há pessoas com seus moldes que não querem pensar...
As pessoas com seus moldes, passaram a apenas replicar seus moldes..."é mais facil" eles dizem, " não precisa pensar e tão pouco uma tesoura coordenar"... e um exercito de folhas em branco foi formado, branco... branco.... branco.... O BRANCO INVADIU A PUREZA DA CRIATIVIDADE
Com o tempo o menino já não podia mais criar sem molde... e as estrelas ficaram só no céu.
Sem os moldes o menino começou a se fragmentar até que o anjo verde viesse ao seu encontro. Diz o menino - Não tenho tempo pra você, preciso procurar meu molde, aí é só copiar!!! O anjo diz - Aprender, CAMINHAR no compasso, PASSO A PASSO pra te encontrar, quero DAR-TE A FORÇA e o brilho DAS MINHAS MÃOS e o riso que vibra DENTRO EM MIM, tu mais eu é igual a NÓS. ... sem tempo... sem tempo... sem tempo...
O menino teve que olhar para o seu próprio medo, mas ajudado pelo Anjo, ele se olhou no espelho.
e o Dragão adormecido gritou dentro do menino, e as orações do Anjo chegaram ao seu
O jogo do saber começou, o tempo é aliado e vai te acompanhar no futuro. Erre! tente e recomece! o saber é sempre.
E imaginar que alguns minutos atrás você olhava diferente... agora nunca mais você vai ver apenas uma folha em branco.
Do ponto de vista fenomenológico, a pintura é uma das expressões da Arte porque permite a junção da percepção e da sensação, ou seja, os efeitos de sentido e significado sendo produzidos pelo que vimos (os nossos olhos) e pelo que sentimos ou entendemos (o nosso cérebro). É fenomenológico porque é pela percepção que vemos as tonalidades da luz (as cores); e é pela sensação que damos nomes às emoções às compreensões das pinturas.
Em minha trajetória, venho aproximando a prática do kirigami (recorte de papel) às outras expressões de arte, tal como a pintura. É provável que essa possibilidade de trocas entre as várias expressões artísticas acabe otimizando as combinações, as comparações e, com maior evidência, os contrastes.
Durante minha trajetória no curso de Graduação em Artes Visuais, na UEL, o contato com maior ênfase com a pintura deu-se nas aulas do professor Danilo Villa.
Foi ele que sugeriu-me a pesquisar sobre Henri Matisse, que trabalhou, em específico, a junção da pintura com o recorte.
No entanto, meu desejo de trabalhar com papéis policromáticos, fez-me refletir sobre os seus efeitos sobre o meu trabalho de kirigami.
A princípio, os recortes de papel denotam a variedade das figuras (humanas, animais, elementos da natureza, entre outras), quase sempre trazendo-nos à lembrança de silhuetas. Portanto, a junção é fazer com que a pintura realce a figura, servindo de fundo e, ao mesmo tempo, performando as tonalidades da cor.
*****************************************
Nesta tela, observa-se a fluência marcadamente de duas cores, o azul e o laranja. E, em menor proporção de visibilidade, o marrom. Todavia, é o marrom que potencializa a junção do recorte com a pintura, caracterizando a produção de sofrimento e perseverança em contraste com a peregrinação e o amparo.
********************************************
Como já trabalho com simetrias e miniaturas, professor Danilo pediu-me que fizesse recortes assimétricos e com proporções cada vez maiores.
O efeito do corte linear sobre o papel forma uma mancha pictórica que não é apenas uma sombra ou silhueta de algo. Na verdade, a policromia do papel faz, como efeito esperado, que a figura sobreposta direcione para a composição de uma paisagem (ou retrato), requerendo a prática do reconto. Ou seja, a junção do recorte com a pintura estimula os apreciadores a recontarem ou a construírem uma nova história.
A pintura traz uma temporalidade, principalmente depois de ver as fotos de Haruo Ohara, observando ou lembrando de memória. As produções a seguir se referem a uma pequena série em sua homenagem.
Cores quentes e frias mesclam-se tematizando a pictografia (recorte com pintura)
As cores e as formas sempre buscam a harmonização entre si, a fim de que haja otimização das silhuetas em relação ao cenário. Na composição a seguir, as silhuetas são gêmeas, mas as cores e as texturas fazem a distinção entre elas.
A silhueta abaixo remete aos tempos da infância, cujas brincadeiras eram determinadas pela presença de brinquedos caseiros (domésticos) e da cosmovisão social. A silhueta do feminino fica mais evidente pela forma (sombra) e pela tonalidde das cores, destacando as partes superior e inferior.